AILTON ELISIÁRIO
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E DEUS CRIOU A MULHER

 

            Neste último domingo do ano de 2025 despediu-se Brigitte Bardot, diva do cinema francês que arrebatou corações pelo mundo inteiro. Nascida em 28 de setembro de 1934, em Paris, tornou-se estrela, arrebatando paixões masculinas que viam nela a imagem primordial da beleza feminina. Ela foi para mim, enquanto adolescente a minha canção de amor juvenil. Agora, com 91 anos de idade, ela deixou a todos que conquistou, desprovidos de sua presença, mas eternizada nas lembranças e devaneios de outrora.

            BB, ou Brigitte Bardot, que havia começado sua carreira aos 13 anos como bailarina e modelo, depois cantora e atriz, protagonizou mais de 50 filmes, tendo se consagrado em “E Deus criou a Mulher” (Et Dieu créa la Femme), que a levou ao estrelato em 1956. A sua sensualidade no papel de uma jovem órfã, Juliette, cheia de libido, transformou-a em símbolo sexual do cinema europeu por três décadas.

            Aos 39 anos de idade quando se encontrava no auge de sua carreira, BB abandonou as câmeras, conforme suas palavras “literalmente esmagada pela fama” e passou a se dedicar à defesa dos animais. Via de regra, o sucesso meteórico costuma perturbar a mente humana, não tendo sido diferente em Brigitte, que passou a lutar contra uma severa depressão e alcoolismo. Leiloou muitos dos seus bens e com o produto arrecadado criou a Fundação Brigitte Bardot destinada à proteção dos animais, que a dirigiu até agora.  Em 1987 ela disse em entrevista: “Eu dei minha beleza e minha juventude para os homens, agora dou minha sabedoria e experiência, minha melhor parte, aos animais”.

            Casou-se por quatro vezes, tendo sido seus maridos Roger Vadim, Jacques Charrier com quem teve seu único filho Nicolas, Gunter Sachs e Bernard D’Ormale, afora inúmeros amantes. Ao visitar Búzios, com o namorado franco-marroquino-brasileiro Bob Zagury, ex-jogador de basquete do Flamengo, ela foi presenteada com o nome Orla Bardot na Praia da Armação, onde lá em 1999 foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, colocando Búzios no mapa do turismo mundial.

            Quando eu tinha 15 anos, Brigitte tinha 25. Nessa época eu fazia o curso ginasial e dentre as disciplinas curriculares eu estudava francês. Resolvi que deveria escrever para Brigitte e assim o fiz. Enviei-lhe uma carta, escrita em francês, dizendo-lhe de minha admiração e do meu desejo de conhecê-la pessoalmente. Esperei sua resposta, mesmo que apenas dizendo da recepção da carta. Mas, essa resposta jamais chegou às minhas mãos. Nunca soube se Brigitte tomou conhecimento de minha carta. Afinal, celebridades não respondem diretamente as correspondências dos fãs, mantendo quando os têm, funcionários para realizar esse trabalho.

            Nessa data de 29 de dezembro de 2025, Brigitte Bardot passou a viver em outra dimensão, mas permanecerá nas minhas lembranças, vibrante com sua imagem de mulher sedutora, que inundou de ilusões o meu passado de adolescente. Ela disse que “não quis seduzir nada nem ninguém”, mas seduziu a muitos por sua exuberante beleza e pela sua liberdade que afrontou a sociedade da época.  Au revoir, Brigitte!

Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 02/01/2026
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