AILTON ELISIÁRIO
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VELHO AÇUDE VELHO

 

              O Açude Velho em Campina Grande é alvo de muitas histórias e recordações. Situado no centro da cidade, suas águas hoje poluídas, já serviram ao abastecimento da população. Transformou-se num cartão postal, num ponto de localização de quiosques, bares e restaurantes que se delineiam por todo seu contorno.

               Por um dos seus lados manifestações de toda ordem são realizadas, desde troças carnavalescas a desfiles cívicos, desde protestos de categorias e classes sociais a passeatas e carreatas políticas, desde procissões religiosas a diversos tipos de concentração pública. Por outro dos seus lados uma praça alongada toma quase toda a sua extensão, num cenário de exuberante romantismo e saudade.

          O Açude Velho é o primeiro da cidade, construído para abastecer a população, e hoje é um espaço de lazer e prática esportiva. O velho Açude Velho foi repositório dos pesos e medidas na Revolução do Quebra Quilos, em 1874, quando João Carga d’Água jogou com os revoltosos em suas águas, os pesos tomados dos comerciantes em represália à política de mudança do sistema de pesos e medidas.

          Nossos historiadores relatam fatos ocorridos em sua volta, a exemplo de Elpídio de Almeida, em História de Campina Grande; Josué Sylvestre, em Lutas de Vida e Morte; Josemir Camilo de Melo, em O Velho Açude Velho.

            Monumentos históricos estão às suas margens, como o dos Pioneiros da Borborema (o índio, a catadora de algodão e o tropeiro), o do Farra de Bodega (Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro), o do Sesquicentenário de Campina Grande (Museu Digital), o da Bíblia Sagrada, o de Wergniaud Wanderley (Prefeito de Campina Grande), o de João Carga d’Água (líder da Revolta do Quebra Quilos) e a última arquitetura de Oscar Niemeyer, o Museu de Arte Popular ou Museu dos 3 Pandeiros, que avança suspenso sobre as águas do Açude.

               Mas são os nossos poetas que enaltecem o seu lirismo, a exemplo de Ronaldo Cunha Lima em Açude Velho, Orlando Tejo em O Açude Velho, Jansen Filho em O Açude Velho e tantos outros.

            Tenho o privilégio de diariamente ver o sol nascer espargindo seus raios sobre a lâmina d’água do Açude Velho e recordo com emoção a importância que ele teve e tem ainda para a nossa cidade. Angustio-me, porém, com o horizonte de sua vida histórica, pela situação que indefeso enfrenta de alta poluição e pela ameaça de secamento. Partes de sua base térrea já se veem acima do leito d’água, onde as garças fazem seus pousos.

               Há urgente necessidade de que se lhe faça limpeza, serviços de dragagem, revitalização de suas águas, proteção a sua fauna e flora, para que possa continuar dando testemunho da história de Campina Grande e dos arroubos sentimentais dos seus cidadãos.

Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 02/02/2024
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