AILTON ELISIÁRIO
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DESFILE DE SETE DE SETEMBRO
 
            Neste ano de pandemia o desfile tradicional de natureza cívico-militar não ocorreu em todo o país. A festa cívica, que se realiza anualmente com a participação de escolas, instituições laicas e religiosas, bombeiros, polícia militar e forças armadas, trazendo a população às ruas de cada cidade brasileira, foi suspenso para evitar aglomerações de pessoas e desse modo, dificultar a propagação do vírus.
            O desfile acontecia desde 1889 de maneira espontânea e informal, vindo a ocorrer regularmente a partir de 1949, quando a Lei n° 662, de 06.04.49 veio criar o feriado nacional do Dia da Pátria. A princípio sob o postulado do nacionalismo, quando o conceito de nação ganhou força e fixação sentimental. Com a construção de Brasília, a ideia nacionalista foi suplantada pelo conceito de patriotismo, pelo qual os brasileiros demonstravam o sentimento de amor e devoção à Pátria.
            Durante o regime militar de 1964, a ideia predominante foi a do civismo, criando-se o sentimento de defesa das instituições e deveres para com a Pátria, que a partir de 1984 com o movimento Diretas Já cedeu lugar ao sentimento de cidadania, pelo qual os cidadãos exercem os seus direitos e participam da vida política e social do País.
            Estes sentimentos se solidificaram no povo brasileiro de forma muito arraigada, tanto que inúmeras manifestações espontâneas vieram substituir os desfiles atestando esta condição. Vídeo circulou nas redes sociais mostrando que em alguma cidade do Brasil, um grupo de jovens de ambos os sexos realizou um desfile totalmente improvisado pelas ruas do lugar, sendo os instrumentos musicais de percussão latas de tintas, bujões d’água, baldes de lavagens e tampas de panelas, em substituição aos bumbos, surdos, taróis e pratos, formando o que seria uma possível bandinha de música. Vestidos com suas roupas do dia a dia, em ritmo cadenciado o grupo passava pelas ruas, emitindo sons tal qual as bandas escolares nos desfiles.
            Já em outra cidade, a banda filarmônica municipal sozinha desfilava pela cidade, vestidos os músicos com a farda do grupo e tocando os seus instrumentos musicais apropriados, como tuba, bombardino, trompete, trompa, trombone, clarineta, saxofone, surdo e tarol, encantando as pessoas com os dobrados, um gênero de música derivado das marchas militares. Na cidade de Areia, Paraíba, a Filarmônica desfilou tocando o dobrado Os Flagelados, do maestro Joaquim Pereira. O hasteamento do Pavilhão Nacional se deu em todos os lugares, com a participação de representantes das mais diferentes instituições.
            São manifestações dessa natureza que mostram esses sentimentos de nacionalismo, patriotismo, civismo e cidadania, ante a criatividade e espontaneidade dos brasileiros, brotando com naturalidade em momentos de severas restrições de vida social como as enfrentadas na atualidade. Não obstante a mania de viagens por tantas pessoas em datas específicas que requerem comemorações, o nosso povo demonstrou que ainda guarda em sua alma e coração tais sentimentos com muito fervor.
            O Sete de Setembro deste ano de 2020, assim celebrado de modo diferente do passado, pelo ânimo de sua população assegurou que o Brasil é verde e amarelo, ou seja, a chama de nacionalidade impera no seio do povo brasileiro, valendo a independência pela liberdade conquistada desde 1822. Disse o estadista americano Thomas Jefferson que “o preço da Liberdade é a eterna vigilância”. Temos, pois, que estar vigilantes de modo permanente, prontos para a luta, posto que se não formos livres nenhum valor terá a nossa independência, de nada terá valido a imolação de Tiradentes e em vão terão sido as ações libertárias de Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada.
Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 10/09/2020
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