AILTON ELISIÁRIO
Nulla dies sine linea
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A SAGA DE VALÉRIA
 
            Neste isolamento social a que todos estamos submetidos, tenho aproveitado para pôr em dia minhas leituras prediletas. Acabei de ler Valéria Vanda, minha amiga na Academia de Letras de Campina Grande na qual ocupa a Cadeira nº 7, cujo patrono é Ascendino Virgínio de Moura e fundadora Maria Molina Ribeiro. Foi empossada em 29.10.2019, sendo recepcionada pelo acadêmico Efigênio Moura.
            Autora de 4 livros, Retalhos de uma vida, A saga de sete mulheres, Entre uma coisa e outra e Marcas de um tempo, Valéria Vanda se destaca por duas vertentes  neles bem presentes: a família e a sua profissão de professora. A família e a educação se colocam à sua frente como um altar, diante do qual ela se ajoelha para veneração e levanta os braços para oração. É com muita beleza e forte sentimento que ela explora os caminhos do seu coração e com coragem enfrenta a luta diária.
            Em seus livros Valéria se expõe com determinação na defesa do ensino público gratuito, indignando-se verdadeiramente quando medidas governamentais são estabelecidas que trazem prejuízo à educação, em especial aos seus alunos mais carentes, a despeito da desvalorização orquestrada de sua própria classe de docentes. Professora de Língua Portuguesa e Literatura, se utiliza desses ricos instrumentos para enfrentar os ataques à educação e aos professores, com suas apreciações em sala de aula, com suas crônicas publicadas nos jornais de Campina Grande, com seus livros cheios de sensibilidade.
            As atividades acadêmicas que até patrocinava, como os saraus poéticos recheados de chocolates, a destinação de parte do pequeno salário para suprir as deficiências da escola, as pequenas infrações comportamentais praticadas em prol da aprendizagem em sala de aula, foram constantes no seu dia a dia. Toda a sua saga lhe manteve a disposição de ser professora e de jamais desistir de sua profissão, que se transmudou em missão, ainda hoje de pé, mesmo após o seu recolhimento ao repouso merecido.
            Mas, é na família onde Valéria se desmancha externando o seu mais interior recanto, tornando-se exemplo de doação, de dedicação ao próximo, em que seu corpo e alma se integram num único espírito de renúncia e anulação de si própria, para o bem daqueles que ama sem limitações.
               E como escritora marcou um tempo fazendo escritores todos os membros de sua família, num livro escrito no modelo machadiano, embora alterado pela troca de si própria pela sua irmã que se fora e pelos personagens familiares, na narrativa da história de vida daquela que deixou tantas saudades.
            Ah, Valéria! Como me sinto contente por poder falar sobre você, pelos meandros literários que você própria criou. Você não teve limites para dar-se a conhecer por seus próprios livros. Você teve a ousadia de desnudar-se para todos, mostrando a devoradora de livros que é, mas, muito mais que isso, expondo a imagem cândida de uma mulher valente, de uma guerreira cheia de ternura, amando a todos e por todos amada.
          Por não ter comparecido à sua posse, pois que naquele dia encontrava-me viajando, bem mais tranquilo que você naquela viagem sem malas, não obstante minhas justificativas esta foi a forma que encontrei para me redimir da minha ausência, enaltecendo suas virtudes e agradecendo a Deus pela alegria de tê-la em nossa Academia. Bem vinda à Casa de Amaury Vasconcelos.
Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 17/04/2020
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