AILTON ELISIÁRIO
Nulla dies sine linea
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NA RETA FINAL
 
            Estamos na última semana da propaganda política e dos arremates que os candidatos dão às suas campanhas. O quadro é o mesmo, ou seja, direita versus esquerda, com as investidas de cada candidato que cuidam apenas dos ataques pessoais e da divulgação de falsas notícias pelas redes sociais. Permanecem, porém, ocultas as reais intenções que definem o futuro do Brasil desejado pelos candidatos. No entanto, o povo brasileiro quer o que eles querem?
            Esta pergunta os candidatos a respondem em seus planos de governo que continuam desconhecidos e, por isto, é preciso que os eleitores tomem conhecimento para decidirem suas decisões de votos. Não há como aprofundar a discussão aqui à falta de espaço, mas há possibilidade pelo menos de fazer vislumbrar luz no fim do túnel, com apreciação destacada de alguns pontos críticos de seus programas.
            Uma análise comparativa entre os projetos dos dois candidatos leva o analista a concluir que, embora ambos tenham objetivos semelhantes no tocante ao combate à crise e ao crescimento da economia, eles têm propostas diferentes para o atingimento dessas metas. Jair Bolsonaro apresenta projeto com proposta que contempla a diminuição do setor público e o aumento da iniciativa privada. Já Fernando Haddad apresenta projeto de maior participação estatal na economia.  
            No tocante ao comércio exterior, os candidatos entendem da necessidade de ampliação da abertura com o exterior, porém Bolsonaro vê a Europa e os Estados Unidos como parceiros naturais, enquanto Haddad vê um alinhamento com países emergentes que são membros do agrupamento BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e com os países sul-americanos, em busca de uma maior integração regional e de enfrentamento aos Estados Unidos.
            Em termos de segurança pública Bolsonaro defende a flexibilização da posse de armas e a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Haddad propõe coibir a incidência de roubos e furtos. Quanto às drogas, Bolsonaro mantém o combate às drogas e Haddad quer sua descriminalização e a regulação do seu comércio.
            Em relação à imprensa Bolsonaro assegura a liberdade de informação e de expressão e Haddad pretende estabelecer regulação da atividade. Quanto à educação Bolsonaro quer o ensino sem doutrinação de sexualização precoce e Haddad quer políticas de combate à discriminação em função da orientação sexual e identidade de gênero.
            Considerando a justiça Bolsonaro mantém os princípios constitucionais atuais e Haddad pretende estabelecer mandatos para os juízes, visando a transformação do sistema em justiça popular. Outros temas são levantados, mas cabe também aos leitores apreciá-los.
               Em suma, Bolsonaro imprime em seu projeto o espírito capitalista, sustentado pela liberdade e iniciativa privada, enquanto Haddad imprime em seu projeto o espírito socialista, sustentado pelo controle da liberdade e a iniciativa estatal. São, por fim, dois projetos antagônicos e que apontam para o futuro do nosso povo e do nosso país. São visões diferentes, sendo a de Bolsonaro mantenedora da tradição brasileira e a de Haddad de mudança radical da vida nacional.
              Apesar de ambos falarem que defendem a democracia, cada um deles a vê diferentemente. Há, pois, que se examinar detidamente a visão democrática de cada um, posto que se trata de uma questão ideológica. Democracia é o governo do povo, mas que é exercitada com ou sem liberdade, a depender da ideologia que a sustenta. Portanto, o povo brasileiro deve estar consciente do que quer e não deve e nem pode entregar a quaisquer candidatos o futuro da Nação e a sua própria vida. Os bens maiores do ser humano são a vida e a liberdade. O eleitor deverá, pois, exercer o voto consciente, mas, sem abrir mão da garantia de vida com dignidade e com liberdade, por hipótese alguma.
Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 22/10/2018
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