AILTON ELISIÁRIO
Nulla dies sine linea
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VOTO CONSCIENTE
 
            Este dia 5 de agosto foi a data limite para que os partidos políticos realizassem as convenções eleitorais, definindo os seus candidatos. Durante algum tempo antes cada partido expressava a necessidade de diálogos com outros, a fim de poderem compor as coligações, montando as suas estratégias. Individualmente, os políticos pesavam as decisões a tomar, buscando melhores condições de assegurarem suas escolhas. Partidos e políticos caminhavam juntos em clima de guerra, montando os planos de ataques com vistas à vitória.
            A política é muito interessante. Define-se como a ciência do governo dos povos, a arte de fazer o bem comum ou a arte de dialogar para construir consensos. Em princípio parece que sim, porém, na prática aparece diferente. Daí tantas as interpretações, como as que se seguem: do filósofo florentino Nicolau Maquiavel, “a política é a arte de enganar”; do escritor italiano Luciano Bianciardi, “a política... há muito tempo deixou de ser ciência do bom governo e, em vez disso,, tornou-se arte da conquista e da conservação do poder”; do ensaísta lusitano Agostinho da Silva, “a política tem sido a arte de obter a paz por meio da injustiça”; do literato ateniense Arturo Graf, “a política é demais amiúde a arte de trair os interesses reais e legítimos, e de criar outros imaginários e injustos”; do poeta brasileiro Menotti del Picchia, “política é a arte de conciliar os interesses próprios, fingindo conciliar os dos outros”; do dramaturgo francês Louis Dumur, “política é a arte de nos servirmos dos homens, dando a entender que os servimos”.
            Admito que a política é o meio de se conquistar o poder e de nele se conservar. Basta olhar as incompreensíveis alianças partidárias e os escabrosos acordos políticos, em que se unem direita e esquerda, socialistas e liberais, democratas e totalitários, e tantos grêmios antagônicos esquecendo-se das suas doutrinas, para única e exclusivamente conquistarem o poder. Os interesses do povo na realidade são colocados em segundo plano, prevalecendo os interesses pessoais. E mais, o mandato que deveria ser temporário, constituindo o veículo de trabalho pelo bem comum da sociedade, torna-se o meio de vida permanente do político. Política passou a ser também profissão. Mais que isto, o cabide de emprego para seus familiares e amigos.
            Os partidos políticos são grupos organizados de pessoas que comungam de ideais políticos semelhantes para promoverem o interesse nacional. Todavia, no nosso país os partidos políticos não têm ideologia, servindo seu programa apenas como uma fotografia numa moldura pendurada na parede. Pior, os partidos têm donos e a grande maioria deles é formada para dar sustentação aos desejos dos seus fundadores. São questões a serem revistas para a correção da deturpação de suas próprias finalidades. É por tal descompromisso com suas próprias bandeiras e pelo comportamento de desonestidade com a coisa pública que os políticos são desacreditados pelos cidadãos. Daí as acepções nesse sentido, como a do escritor português Eça de Queiroz, que disse: “políticas e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”; do político inglês Philip Chesterfield, “os políticos não conhecem nem o ódio, nem o amor. São conduzidos pelo interesse e não pelo sentimento”; do humorista brasileiro Millor Fernandes: “isto sim é que é Congresso eficiente! Ele mesmo rouba, ele mesmo investiga, ele mesmo absolve”.
            Os eleitores devem ter consciência para a escolha do candidato. Se o eleitor quer mudança ele deve fazer política, pois como afirmou o poeta espanhol Antonio Machado, “fazei política, porque se não o fazeis alguém a fará por vós e provavelmente contra vós”. O escritor brasileiro Aristófanis Quirino dos Santos prega: “eleitor, vote consciente. Não é a política que faz o candidato virar ladrão. É o seu voto que faz o ladrão virar político”. O progresso do Brasil requer que “você precisa ser a mudança que quer ver no mundo”, como disse Mahatma Gandhi. E esta mudança pode ser alcançada pelo voto consciente, conforme proclama a Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil na Carta de Vitória 2018, que conclama o povo brasileiro para que “utilize seu voto como um instrumento de mudança na construção social, elegendo candidatos ficha-limpa e comprometidos com os princípios de ética e moralidade”. O Brasil precisa de políticos sérios, com urgência.
Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 08/08/2018
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