AILTON ELISIÁRIO
Nulla dies sine linea
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COXINHAS X MORTADELAS
Estávamos até bem pouco tempo com um partido político que, para se perpetuar no poder, criou um governo populista, fazendo malabarismos na gestão financeira das contas públicas. Privilegiando determinados movimentos sociais, que se organizaram fugindo dos seus reais objetivos, esse governo populista provocou o crescimento da inflação, o desequilíbrio da contabilidade pública, criando a maior horda de desempregados no país.
As manifestações de ruas sob o mando desse partido e executadas por esses movimentos, ao preço individual de 30 moedas e de um lanche, fizeram surgir os chamados “mortadelas”.  Em lado contrário outro partido organizava a reação, levando às ruas contingentes exuberantemente bem maiores, que levantavam críticas contundentes aos resultados temerários das ações do governo. Tal partido que se colocava por detrás dos protestos nas ruas, deram existência aos chamados “coxinhas”.
Pelo cardápio político, “coxinha” representa a elite conservadora, rica, enquanto “mortadela” a classe popular, pobre. Tem-se aí, então, o confronto que há séculos se repete em todos os lugares: elite x povo, rico x pobre, patrão x empregado. Esses binômios, entre outros, estão estabelecidos atualmente no Brasil na expressão coxinha x mortadela, entre os quais não tem havido diálogos, mas ataques e violência.
A intolerância impera entre esses grupos em que hoje a população brasileira acha-se dividida. As pessoas não querem debater ideias, querem saber de que lado elas estão para agraciá-las ou anatematizá-las, pois ninguém escuta o outro. Se não estás comigo, estás contra mim, não existe meio termo. É um maniqueísmo terrível, que as leva a se agredirem até dentro de suas próprias famílias.
E agora, que vemos? Acusadores tornam-se acusados, pelos mesmos crimes. Delatores colocam no mesmo cesto as uvas podres que, se não forem dali retiradas, haverão de contaminar as uvas sãs. Por isso, tanto uns quanto outros tentam destruir a Operação Lava Jato, para escaparem dos tentáculos da Justiça. Todos são suspeitos. Nem entre eles próprios há confiança, pois gravam as próprias conversas para usarem-nas quando vierem a ser indiciados no processo.
É triste, muito triste. O descrédito no político espanta os homens de bem da atividade política, ensejando aos desonestos a se locupletarem de uma função pública que é nobre por natureza. O fato em si do político desonesto não é novo. A história do Brasil aponta inúmeros exemplos. Não era sem fundamento que, desde criança, meus pais me diziam que “todo político calça 40”, denotando o mau comportamento comum dos políticos.
Estando, pois, esses políticos no mesmo barco, coxinhas e mortadelas não têm que se digladiar. Têm, sim, que unidos combater os maus políticos, mesmo que estes gozem de suas simpatias. Têm que modificar o conceito de que política “é a arte de conciliar os interesses próprios fingindo conciliar os dos outros”, como disse o poeta Menotti del Picchia, ou a de que  “é a arte de fazermos aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem”, na acepção do escritor Pitigrilli. Nosso Brasil precisa mesmo é de renovação no Congresso Nacional, profunda, ampla, geral e irrestrita. Varrer a sujeira do Congresso é a atual palavra de ordem.
Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 01/06/2016
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