AILTON ELISIÁRIO
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IMPEDIMENTO
Temos no Brasil uma prática de aportuguesar palavras de outras línguas, quando não as usamos inteiramente em nosso linguajar. Um exemplo é a palavra inglesa “site”, que ou a usamos como tal, ou a aportuguesamos com a grafia “saite”, quando não buscamos traduzi-la por “sítio”. No final, tudo se resume a uma página eletrônica no mundo da “internet” ou “internete”.
A palavra da vez agora é “impeachment”. Não temos visto uma utilização mais apropriada de sua tradução que é “impedimento”. Temos sim, o uso da palavra em língua inglesa ou a comodidade brasileira do aportuguesamento livre do vocábulo estrangeiro, tal qual a criação de cada um que a aplica em suas comunicações orais ou escritas.
Isto é um fenômeno a que se chama de estrangeirismo, ou seja, um processo que introduz na língua portuguesa palavras vindas de outros idiomas. Dependendo da origem trata-se de um anglicismo, galicismo, italianismo, castelhanismo, se oriundas do inglês, francês, italiano ou castelhano. Essas palavras geralmente passam por uma adaptação fonológica e gráfica, a exemplo de “abajur”, que vem do francês “abat-jour”, ou de “bangalô”, que vem do inglês “bungalow”.
A palavra na berlinda é “impeachment”, cujo aportuguesamento é “impichiman”. Daí resulta o verbo “impichar”. A presidente está sendo “impichada” pelo Congresso, ou traduzindo, a presidente está sendo “impedida” de governar pelo Congresso Nacional.
Nenhuma contrariedade ao aportuguesamento de palavras, porém, se existe uma palavra na língua portuguesa que traduza com propriedade uma palavra da língua inglesa, francesa, italiana ou qualquer outra, por que não usá-la em lugar da palavra aportuguesada? Por que não usar “impedimento” ao invés de “impeachment”? Por que não usar “impedir” no lugar de “impichar”?
A língua portuguesa é rica em vocábulos, não havendo necessidade de estrangeirizá-la. Se a presidente cometeu crime de responsabilidade, não devemos impichá-la, mas sim, impedí-la de governar este imenso Brasil. Fica algo genuinamente brasileiro, próprio da nossa terra, sem conotação de influência de outros rincões, de outros solos pátrios.
Afinal, a Constituição Federal prevê o “impedimento” de quem esteja sentado na cadeira do Palácio do Planalto, não o seu “impeachment”. A língua oficial do Brasil é o português, não o inglês. Portanto, “impedimento já” deveria ser a palavra de ordem nas ruas e no Senado, haja vista que na Câmara dos Deputados “impeachment” já era, constitui águas passadas.
Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 02/05/2016
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