AILTON ELISIÁRIO
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CARNAVAL DE CAMPINA
Desde fins da década de 1980 que em Campina Grande desapareceu o carnaval que era chamado de tradição, com os corsos vespertinos e os bailes noturnos nos clubes. No período de Momo muitas pessoas deixavam a cidade, a maioria indo para praias, ficando Campina como que abandonada. Tentando salvar essa festa popular, criou-se outra em 1990 a que se denominou de Micarande (junção da palavra “Micareta” com o nome “Campina Grande”), uma espécie de carnaval fora de época, realizado logo após a Semana Santa. Houve certo ano que a Micarande veio a coincidir com o Domingo de Ramos, o que motivou a Igreja a interferir para a mudança da festa.
A Micarande durava 4 dias, tal qual o Carnaval, sendo constituído de blocos comandados por trios elétricos, que à noite levavam milhares de pessoas ao longo de um trajeto chamado Caminho da Folia ou Via Axé que desembocava no Parque do Povo. Bandas como Chicletes com Banana, Ásia de Águia, Pimenta Nativa, Cheiro de Amor, Beijo na Boca, Araketu, Palov, puxavam blocos como Spazzio, Batata, Galo de Campina, Coyote Maluco, Alegria Alegria, numa mistura de música axé, frevo, forró e atividades paralelas à tarde como Bloco da Saudade, Zé Pereira, bloco infantil Piu Piu Amarelinho, mais Serenata do Pierrô e Baile da Saudade. A Micarande, criada em 1990, extinguiu-se em 2008.
Nos dois últimos períodos carnavalescos permaneci em Campina Grande e observei que o carnaval de rua melhorou. O Carnaval Folia de Todos, popularmente chamado de “carnaval dos que ficam”, permanece vivo, sob a direção da Associação Campinense das Escolas de Samba e Troças Carnavalescas. As escolas de samba, os blocos de ala ursa, bumba-meu-boi, caboclinhos, melhoraram. O Bloco do Jacaré e o Bloco Ferro Folia tiveram aumento da quantidade de seus foliões, as Escolas de Samba Unidos da Liberdade e Bambas do Ritmo de Zé Pinheiro acirraram a concorrência, o povo acorreu à passarela do Açude Velho para os desfiles.
E dei-me conta, então, de que embora pessoas deixem a cidade nesse período, ainda se justifica o Carnaval de Campina Grande, porque há público para isto e público crescente, estando ele a requerer apenas o seu reavivamento nos bairros e o apoio do setor público. Com tais medidas sua consolidação será definitiva.
Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 14/02/2016
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