AILTON ELISIÁRIO
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A AMIZADE

Marco Tulio Cícero, o grande orador romano, ao escrever sobre a amizade, afirmou que “a amizade não é outra coisa senão um acordo benevolente e afetuoso de todas as coisas divinas e humanas”. À exceção da sabedoria, ele desconhece algo melhor que tenha pelos deuses sido dado ao homem que a amizade.
Esta amizade de que Cícero fala não é aquela vulgar e medíocre, pela qual todas as pessoas se dizem amigas umas das outras levadas pelo convívio e interesse. Não, ele se refere à verdadeira e perfeita amizade, àquela que a define qual hábito de vida e de atitudes e não como mero vocábulo em que se contenta a vida comum, àquela que não é incentivada pela expectativa de retribuição e sim àquela de que seu fruto consiste no amor em si mesmo.
A amizade, porém, é testada sempre e Cícero diz que não existe “maior peste contra a amizade do que a cobiça de riqueza que afeta a maioria dos homens”. O poder, o dinheiro, a glória e a ganância estabelecem irreconciliáveis desavenças entre pessoas ligadas por estreita amizade. Há quem prefere sacrificar a amizade para alcançar o poder, pensando agir em razão de algo grandioso. Eis porque a verdadeira amizade dificilmente se encontra entre os que vivem das honras dos cargos públicos.
Por circunstâncias viciosas, porém, as amizades podem ser rompidas. Diz Cícero que por razões políticas Cipião rompeu amizade com Pompeu e Metelo. Mas, que do rompimento não sobrevenha a inimizade, pois nada é “mais vergonhoso do que entrar em conflito com quem se conviveu, familiarmente”. Que antes mais pareça ter sido a amizade extinta que reprimida. Sábio, pois, o dito popular que “amizade reconciliada é chaga mal fechada”.
A maior parte dos homens quer ter um amigo que eles mesmos não conseguem ser. Exigem dele o que eles próprios não podem oferecer. Assim, erra quem julga ser a amizade a porta aberta para todas as paixões e pecados. Por isso, às vezes é bom repreender o amigo, porém, de forma benevolente. Cícero conclui dizendo que “como as coisas humanas são frágeis e caducas, devemos, sempre buscar a quem amamos e que nos ame porque, tirando da vida o afeto e a benevolência, a vida perde todo o seu encanto”. Nada, pois, deve superar a amizade, mormente um interesse passageiro ou mesmo um cargo público.
Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 07/03/2012
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